OS DEBATES ELEITORAIS ESTÃO PERDENDO FORÇA?

02/10/26 às 00h
Atualizado em 02/10/26 às 20h49
Visualizações: 289

 

Ausência de candidatos levou ao cancelamento de debates da Record e da Globo, enquanto primeiro encontro da Band teve três dos seis convidados. Outros debates também foram cancelados durante a campanha

Os debates eleitorais na televisão, tradicionalmente considerados um dos principais momentos para que candidatos apresentem propostas e respondam aos adversários, enfrentam uma redução de participação na eleição presidencial de 2026.

Na reta final do primeiro turno, marcado para este domingo (4), debates previstos pela Record e pela TV Globo foram cancelados, enquanto o primeiro encontro presidencial realizado pela Band teve apenas metade dos candidatos convidados no palco.

O cenário reacende a discussão sobre o espaço ocupado atualmente pelos debates tradicionais diante do crescimento das entrevistas individuais, podcasts, transmissões ao vivo e outras plataformas digitais.

Band realizou debate com metade dos candidatos

O primeiro debate presidencial do primeiro turno foi realizado pela Band em 23 de agosto. Dos seis candidatos convidados, apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) compareceram.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não participaram do encontro. As ausências ficaram visíveis no cenário, com os espaços reservados aos candidatos mantidos vazios.

O encontro acabou concentrado nos três candidatos presentes, que discutiram temas como segurança pública, educação, economia e propostas para o país.

A Band havia convidado seis presidenciáveis de acordo com critérios previstos na legislação eleitoral e entendimentos estabelecidos com as campanhas.

Record cancelou debate após ausência de Lula e Flávio

A situação se repetiu na Record. A emissora havia programado um debate presidencial para o dia 27 de setembro, mas decidiu cancelar o encontro depois que Lula e Flávio Bolsonaro informaram que não participariam.

Segundo a Record, os dois candidatos concentravam mais de 70% das intenções de voto somadas nas pesquisas mencionadas pela emissora. Sem os dois, a empresa afirmou que o programa não cumpriria seu objetivo de apresentar ao eleitor o confronto das principais propostas em disputa.

A emissora informou ainda que, caso haja segundo turno, o debate presidencial está previsto para 11 de outubro.

Outro debate também foi cancelado

Antes da Record, um debate presidencial organizado pelo pool O Momento da Decisão, formado por 11 veículos de comunicação, também foi cancelado.

O encontro estava marcado para 14 de setembro, mas não houve confirmação da participação de Lula e Flávio Bolsonaro dentro do prazo estabelecido pelos organizadores. Quatro outros candidatos haviam confirmado presença: Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.

O grupo reúne veículos como CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e VEJA+ TV.

Globo também cancelou o debate da reta final

O episódio mais recente ocorreu na TV Globo.

O debate presidencial estava marcado para quinta-feira (1º), três dias antes do primeiro turno, mas acabou cancelado pela emissora.

Lula havia comunicado anteriormente que não participaria do encontro. No mesmo horário, o candidato participou de uma entrevista no Flow Podcast.

Flávio Bolsonaro inicialmente havia confirmado presença, mas desistiu poucas horas antes do programa. A decisão ocorreu depois de determinações judiciais que alteraram aspectos do formato originalmente planejado pela emissora.

Uma decisão do TSE determinou que a Globo não exibisse o púlpito vazio destinado a Lula. Outra decisão, do STF, autorizou a participação de Renan Santos no debate. A emissora alegou que as mudanças provocaram insegurança jurídica e decidiu cancelar o encontro.

Entrevistas ganham espaço

Enquanto os debates tradicionais enfrentam dificuldades para reunir os principais candidatos, as entrevistas individuais em plataformas digitais passaram a ocupar parte desse espaço.

O exemplo mais recente foi a participação de Lula no Flow Podcast, realizada no mesmo período em que estava previsto o debate da Globo. O episódio evidencia uma mudança no ambiente de comunicação eleitoral: em vez do confronto simultâneo com adversários, o candidato pode optar por uma conversa individual, com dinâmica diferente da de um debate.

Esse movimento também ocorre em um cenário no qual campanhas utilizam cada vez mais YouTube, podcasts, redes sociais e transmissões ao vivo para alcançar eleitores diretamente.

Menos confrontos entre os principais candidatos

Com os cancelamentos e ausências, o primeiro turno de 2026 chega ao fim sem um confronto televisionado entre Lula e Flávio Bolsonaro, apontados como os dois principais candidatos nas pesquisas citadas pela imprensa.

Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, é a primeira vez em 20 anos que o primeiro turno termina sem que os principais líderes das pesquisas tenham participado de um debate televisionado entre si. A publicação também registra que outros debates foram cancelados ao longo da campanha devido à ausência dos candidatos.

O fenômeno não significa, porém, que os debates tenham desaparecido da campanha. O que mudou foi a capacidade de reunir os candidatos mais competitivos nos mesmos espaços e, consequentemente, de promover confrontos diretos entre suas propostas.

O debate sobre os próprios debates

A redução dos encontros tradicionais levanta uma questão que vai além da televisão: o eleitor está mudando a forma de acompanhar uma eleição?

Com podcasts, canais de streaming, YouTube e redes sociais oferecendo entrevistas mais longas e direcionadas, candidatos encontram novas formas de conversar diretamente com seus públicos.

Por outro lado, o debate tradicional reúne diferentes candidatos simultaneamente e permite que perguntas, críticas e respostas aconteçam sob as mesmas regras e no mesmo ambiente.

A questão colocada nesta eleição é se esse modelo ainda possui o mesmo peso que teve em campanhas anteriores ou se a comunicação política está caminhando para um cenário cada vez mais fragmentado entre televisão, rádio e plataformas digitais.

É justamente essa transformação que está no centro da discussão desta semana no Parla Teco, com o jornalista Teco Barbero.

Afinal, os debates eleitorais estão perdendo força na mídia tradicional? Ou estão apenas mudando de formato e de plataforma?

Sugestão de manchete para o Galera Mix

Debates eleitorais perdem espaço na TV e candidatos migram para entrevistas e plataformas digitais

Outras opções:

Ausências de candidatos fazem debates eleitorais serem cancelados na reta final da eleição
Band teve cadeiras vazias, Record e Globo cancelaram debates; o que está mudando nas eleições
Debates eleitorais enfrentam esvaziamento e abrem espaço para podcasts e plataformas digitais
Sem principais candidatos, debates da Record e Globo são cancelados na reta final do 1º turno
TV perde espaço para podcasts e plataformas digitais na comunicação dos candidatos

Getsites