27/03/26 às 00h
Atualizado em 27/03/26 às 21h02
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Fotos: Divulgação
Vestidos de preto e com cartazes, trabalhadores das unidades de saúde do município realizaram manifestação silenciosa na manhã desta sexta-feira, 27 de março, em resposta ao anúncio do prefeito Maickon Sgrott (PL) de criação de uma junta de perícia médica para avaliar os atestados dos funcionários públicos municipais.
Os manifestantes exibiram faixas com as inscrições "a saúde está de luto" e "sem respeito não há cuidado". No cartaz principal, os servidores responderam diretamente ao tom adotado pela gestão ao se referir ao volume de afastamentos: "A 'farra de atestados' tem nome: exaustão mental.".
Decreto e o debate sobre os afastamentos
A criação da junta foi anunciada após a Prefeitura identificar crescimento expressivo no número de licenças médicas nos últimos três anos. Em 2025, mais de 800 servidores se afastaram em um quadro de cerca de 2 mil funcionários, o dobro de afastamentos em relação a 2023. A gestão projeta que, mantida a tendência, o número pode chegar a 20 mil dias.
O prefeito Maickon Sgrott rejeitou a interpretação de que a perícia representa perseguição aos servidores. Segundo ele, a junta médica funcionará como um "raio-x" da saúde dos servidores, mapeando se os afastamentos têm relação com saúde mental, sobrecarga ou condições de trabalho.
Entretanto, Sgrott destacou que existe uma diferença entre aqueles que realmente necessitam do afastamento e os que, segundo ele, estariam utilizando o atestado sem real necessidade.
Sobrecarga e desassistência à população
Para os trabalhadores, os números não refletem abuso, mas o esgotamento causado pelo excesso de trabalho. A insatisfação, segundo os próprios servidores, vai além da criação da junta médica: o quadro de pessoal está defasado e as condições de trabalho, precárias.
"Estamos sobrecarregados, a administração nada faz para melhorar o serviço"
Servidor, em anonimato por temer represálias
Ainda segundo ele, os servidores ficaram desapontados. Ele ainda ressalta que a população é a maior prejudicada, que sofre pela precariedade do serviço e falta de profissionais de todas as áreas.
O descontentamento não se restringe à Secretaria de Saúde. Servidores da educação do município também começam a se organizar para reivindicar direitos, sinalizando que as tensões com a gestão atual se estendem a outras secretarias. A expectativa dos trabalhadores é de que a administração municipal dialogue com eles e responda às demandas apresentadas.
Prefeitura cita investimentos e ampliação do quadro
Em resposta às críticas sobre as condições de trabalho, a Prefeitura afirma ter investido no reforço do quadro de profissionais da saúde desde o início da gestão. Segundo dados de chamamentos públicos da Secretaria de Saúde, mais de 120 novos profissionais foram contratados entre janeiro de 2025 e março de 2026.
Entre os servidores públicos admitidos estão médicos de diversas especialidades, como: clínico geral, ginecologista, cardiologista, pediatra, psiquiatra, otorrinolaringologista e urologista, além de enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, agentes comunitários de saúde e profissionais de apoio administrativo e operacional.
Os dois lados
De um lado, os servidores sustentam que o alto número de atestados é consequência direta da sobrecarga de funções e do adoecimento, sobretudo mental. De outro, a Prefeitura argumenta que o crescimento de quase 80% nos dias de licença entre 2024 e 2025 exige investigação, e defende que a perícia servirá tanto para identificar eventuais abusos quanto para mapear o adoecimento real dos servidores e orientar políticas de saúde e melhoria nas condições de trabalho.
Fonte: Vipsocial
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